O Nordeste estava no centro da expansão das energias renováveis no Brasil, mas o debate permanecia distante de grande parte da população.
Termos técnicos como transição energética, desenvolvimento verde e economia regenerativa ainda não se conectavam facilmente às questões que atravessam a vida nos territórios: emprego, renda, água, direitos, preservação do rio São Francisco e participação nas decisões sobre grandes empreendimentos.
Em um dos ciclos eleitorais mais polarizados da história recente do país, as eleições de 2022, o desafio era fazer essa agenda ultrapassar os círculos especializados e entrar no debate público sem perder rigor, identidade regional ou independência política.
O Plano Nordeste Potência precisava ganhar vida pública e não ser meramente divulgado.
Construímos uma estratégia para transformar suas propostas em experiências, narrativas e espaços de participação capazes de mobilizar diferentes públicos da região.
A cultura como linguagem
de mobilização
Cordéis virtuais, conteúdos regionalizados e influenciadores identificados com os públicos prioritários transformaram energia, clima, emprego e água em conversas acessíveis, afetivas e culturalmente reconhecíveis.
O território como ponto de partida
A Caravana e a websérie Nordeste Potência percorreram a bacia do São Francisco conectando influenciadoras, especialistas e comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e agricultoras. As histórias traduziram temas complexos a partir das experiências de quem vive e transforma o território.
A eleição como oportunidade de incidência
O Palanque Virtual analisou os planos de governo nos estados nordestinos, destacou propostas e lacunas e abriu espaço para posicionamentos, cobranças e diálogo com candidatos, comitês eleitorais e equipes dos governos eleitos.
A mobilização chegou a 1.960.973 pessoas nas plataformas Meta (o equivalente a aproximadamente 5% do eleitorado do Nordeste à época).
As publicações geraram mais de 756 mil interações, com participação expressiva de mulheres, jovens e pessoas com mais de 60 anos, nossos públicos-chave.
A escolha dos mensageiros foi parte da estratégia. A participação de Carla Perez, por exemplo, aproximou o movimento de públicos que dificilmente seriam alcançados por uma comunicação socioambiental convencional. Um único conteúdo respondeu por 57% dos inscritos conquistados pelo canal e abriu espaço para a presença do Nordeste Potência no CarnaSol, em Salvador.
O site recebeu 27.450 usuários, dos quais 23.867 acessaram o Palanque Virtual para conhecer e comparar as propostas dos estados.
Mais do que gerar tráfego, o Palanque:
O Nordeste Potência ajudou a deslocar a transição energética de um debate restrito a especialistas para uma conversa pública sobre desenvolvimento, direitos e futuro.
O movimento conectou território, cultura, opinião pública e política para afirmar que o Nordeste não deve apenas receber empreendimentos ou fornecer energia limpa ao país. Deve participar das decisões, distribuir oportunidades e liderar uma transição que seja também justa para suas comunidades.
Resultados medidos entre julho de 2022 e março de 2023.
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